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Fotos:
Gilson Galvão, Igor Carneiro e Roberto Costa Pinto
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Histórico
O Ferry boat, recebeu seu nome em homenagem ao deputado da UDN, filho do general, primeiro presidente da Petrobras e governador da Bahia na década de 1930 e no início da década de 1960. Juracy Jr. era o principal articulador da campanha de Jânio Quadros no estado da Bahia em 1960 e foi subchefe de seu gabinete civil. O político "Juracizinho", como era conhecido vinha sofrendo de grande crise nervosa e em 05 de abril de 1963 suicidou-se em sua casa em Salvador, segundo o jornal Diário da Noite (05.04.1963, pág. 06) com dois tiros no peito (??). |
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O
Juracy Magalhães Junior era uma embarcação para
transporte de veículos, que
teve grande importância no processo do desenvolvimento do estado da
Bahia. Junto com o Agenor
Gordilho ele fez parte do projeto de transporte que tinha como objetivo
unir rapidamente a cidade de Salvador, ilha de Itaparica, recôncavo
baiano e a região cacaueira do sul da Bahia, que era realizada por
navios lentos da Companhia Bahiana de Navegação. O projeto envolvia a construção de dois terminais, a ponte do Funil, que uniria a ilha de Itaparica ao sul da Bahia e um complexo de vias rodoviárias do trecho da BR 101 que seria inaugurada em 1972. Construído em aço, possuía 71 metros de comprimento, 13,5 metros de boca e mais de 1.350 toneladas. Foi encomendado em 1970 no estaleiro EBIN Só S.A. em Porto Alegre, RS pela Companhia Bahiana de Navegação S.A. (CBN). Possuía cinco conveses, alcançando mais de 19 metros de altura e podendo acomodar 14 caminhões, 18 automóveis e 305 passageiros. |
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![]() (ilustração Maurício Carvalho) |
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Na
visita que fizemos em janeiro de 2019, durante a preparação
da embarcação para o naufrágio, impressionou a ótima
condição do casco e demais estruturas, mostrando a sólida
construção da embarcação. Ele foi lançado ao mar em fevereiro de 1970 e entregue oficialmente em maio de 1972, recebendo o nome do empresário e presidente do conselho da Companhia de Navegação Bahiana, falecido em 1969. A viagem inaugural ocorreu no dia 5 de dezembro de 1972 e a embarcação realizou travessias regulares até o final de 2017, quando atingiu o tempo de uso permitido pela legislação e foi encostado no cais da empresa em Itaparica onde permaneceu até seu preparo para o afundamento. |
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A
ampla proa com rampa que dava acesso a dois conveses para o transporte
de veículos.
Na
popa também existia uma rampa facilitando as manobras embarque
e desembarque
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No
casario central existiam dois convéses um o transporte de cerca
de 300 passageiros, além das cabines de comando no tijupá
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Projeto
dos Naufrágios de Salvador |
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Igor
Carneiro, proprietário da operadora Shark
Dive
durante a visita ao Agenor
Gordilho
e ao Juracy Magalhães ancorados
no pier da Cia Bahiana de Navegação em Itaparica.
Neste local foi realizado todo o trabalho de preparação dos navios para seu afundamento |
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Na nova etapa
do projeto, a partir e 2022, foram conseguido mais dois cascos; o ferry
boat Juracy Magalhães Jr., semelhante ao Agenor
Gordilho, ambos da Companhia de Navegação Bahiana, que
explora a linha de travessia de ferry boats Salvador-Itaparica
e o casco do navio Varredor da Marinha do Brasil Anhatomirim
- M16. |
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Vista para a proa, a rampa foi removida
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Vista da proa para o casario central com os 2 conveses de veículos
(convés principal e intermediário) |
Vista da popa para o casario central com dois conveses
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24
horas depois do naufrágio os peixes já se instalaram
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Vista
da proa com os 2 conveses de veículos
(convés principal e intermediário) |
Vista
da proa para o salão de passageiros
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O
afundamento No dia 13.02.2025 o Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos) concedeu autorização ambiental à Secretaria de Turismo da Bahia (Setur) permitindo o afundamento de um ferry-boat já apontando o local onde do afundamento do Juracy Magalhães do lado de fora da Baía de Todos os Santos em um ponto à frente do bairro do Rio Vermelho. No dia 21 de março de 2025 o Ferry boat foi rebocado do cais da Companhia Bahiana de Navegação até um ponto a 2 milhas (4 Km) da costa na frente do Bairro do Rio Vermelho, fora da Baía de todos os Santos. Ancorado no local escolhido para o afundamento, foram abertas as válvulas e algumas cavidades no casco. O navio levou cerca de três horas para afundar, embora, quando a água atingiu o nível do convés tenha afundado em menos de dois minutos. O naufrágio está apoiado corretamente no fundo a 31 metros, com a popa voltado para a costa e a proa direcionad a altomar. A parte mais rasa encontra-se a 18 metros. Durnte o naufrágioo navio impactou com a popa o que quebrou parcialmente a rampaa boreste. De rsto o navio está perfeito no fundo. |
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No
dia 21 de março de 2025 começou as 13 horas o processo de
afundamento. O navio foi ao fundo as 15:00 horas.
A operação foi um sucesso com o navio assentando no fundo na posição esperada e sem liberação de resíduos no mar |
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Descrição O Juracy Magalhães Jr. está apoiado no fundo ligeiramente aderndo para bombordo (5º), de aproximadamente 31 metros de profundidade até cerca de 18 metros, seu grande tamanho, assim como as áreas com teto e escuridão de grandes dimensões obrigam os mergulhadores a restringir sua exploração aos seus limites de treinamento. Segundo o que divulgaram as operadoras de mergulho de Salvador, serão implementados 4 níveis de experiência, que obrigará os mergulhadores que desejam conhecer todo o navio a investir em melhores e novas técnicas. Nível 1 - Open water - Nível 2 - Advanced Open Water - Nível 3 - Wreck diver / Deep - Nível 4 - Advanced Wreck Diver. Para facilitar o entendimento e prevenir riscos desnecessários vamos apresentar o navio por essa classificação O navio foi preparado com a remoção de elementos de risco como fios e material cortante, também foram abertas diversas passagens que fazem com que praticamente todo o navio tenha acesso direto a luz. A planta original apresentava em sua configuração 4 conveses definidos que passam a nomear o ponto do ferry boat. A parte mais alta do navio, a uma profundidade de 18 metros (Nível 1 - Open water) é definida como convés do passadiço Ele está completamente limpo, com excessão de algumas muradas finas, que não dvem demorar juito a cair também existem dois acessos por escadas ao deck de baixo bem a ré. |
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O
primeiro convés (Nível
2 - Advanced Openn Water), que atinge
os 20 metros é formado pelo grande compartimento
de passageiros, todas as poltronas e outras estruturas foram removidas,
formando um grande salão sustentado por pilastras. O acesso pode
ser feito por portas amplas nas laterais, na parte frontal e traseira. Nos
dois bordos do casario estão escadas de acesso ao convés intermediário,
mas são passagens menos amplas. Cercado por amplas janelas ele oferece
bom acesso e luminosidade. Embora seja uma região com acesso restrito
à superfície (teto) o nível de risco é pequeno
para mergulhadores devidamente treinados. O convés intermediário (Nível 3 - Wreck diver / Deep), a cerca de 24 metros é o primeiro convés de veículos de veículo e corre toda a embarcação da proa a popa. Na proa, a rampa de acesso ao convés principal foi removida assim o convés não existe na parte central da embarcação. No centro deste convés existe uma região com teto, coberta pelo casario, a distância é curta e os acessos pela proa e popa são enormes, não há risco de retenção. Nos bordos existem escadas tanto para acesso ao primeiro convés como ao convés principal, nestas regiões de escada, os espaços são mais estreitos e devem ser restritos a mergulhadores mais experientes. |
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O convés principal
(Nível
4 - Advanced Wreck Diver)
também corre por toda a embarcação
de proa a popa atingindo os 31 metros de profundidade. Pela proa o acesso
é amplo já que foi removida boa parte do convés intermediário
sobre o convés principal. Mas no restante da extensão é
uma área com teto e luminosidade já reduzida, o espaço
é muito amplo e no convés existem aberturas que dão
acesso ao convés inferior. O convés principal também
possui escadas nos bordos que dão acesso ao convés intermediário
e aos compartimentos do convés inferior. |
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Visita
de inspeção em janeiro de 2019 com os navios ainda a seco
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Convés
intermediário em visão para a popa.
Escadas laterais com acesso ao compartimento de passageiros |
Primeiro
convés com o amplo acesso
ao
compartimento de passageiros |
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Convés
livre e plano do passadiço a 18 metros
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Convés
intermediário em visão para a proa
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Primeiro
convés, a frente do
compartimento de passageiros |
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Convés
inferior, totalmente desobstruído
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Convés
de popa mostrando os acessoa à sala de máquinas
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Sala
de máquinas com acessos no teto e na popa
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Escadas
laterais que conectam os três conveses
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Da
popa a proa pelo convés principal
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A
sala de máquinas no convés inferior
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Espelho
de popa amassado no afundamento
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A
cabine de comando foi retirada
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Hélices
quase enterrados
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Agradecimentos
as operadoras
Shark Dive e Bahia
Scuba e do fotógrafo Gilson Galvão
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